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Acompanho o Ironman Floripa desde sua primeira edição mas, pela primeira vez, assisti todas as etapas da competição. Em muitos momentos durante a longa prova de ciclismo eu me perguntava, qual a motivação desse “povo”? A motivação dos primeiros é bastante óbvia, uma premiação de U$ 50 mil, mas e o restante dos competidores? O que motiva o camarada a pagar U$ 550 de inscrição, investir muito tempo em treinamentos, gastar fábulas em equipamentos (havia bikes que custavam R$50.000,00) e viagens e chegar em 750º ou 1.530º? No final da etapa do ciclismo, quando começa a maratona (isso mesmo, disse maratona – 42.125 metros), para mim era ainda mais incompreensível. O que esses “caras” estão buscando? Qual é a desses malucos?

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Cheguei cedinho em Jurerê, mas perdi a largada da natação. Corri diretamente para o meio da praia, onde os atletas são obrigados a voltar até a areia para um novo trecho de natação. A multidão impedia que se visse muita coisa, mas consegui assistir os atletas mergulhando para a última “perna” da natação. Me dirigi à área de transição (esse ano consegui credenciamento para fazer a cobertura fotográfica do evento) e acompanhei a chegada dos primeiros a saírem da água. A motivação estampada no rosto de cada um era impressionante, enquanto arrancavam a roupa de borracha e corriam para encontrar suas bikes, em um verdadeiro mar de bicicletas.

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Fiz algumas fotos na transição e parti para o trajeto do ciclismo, que envolve boa parte de Florianópolis. O clima ajudou bastante a etapa de ciclismo, o céu nublado e uma brisa leve facilitaram a pedalada de 180 km. Parei em uma curva fechada no final de uma longa descida na SC-401, onde pude clicar, de um lado os triatletas descendo a 80 km/h e do outro o início de uma dura subida. Em outro ponto da SC-401, mais precisamente na entrada do Caminho dos Açores, fiquei exatamente no topo do morro, o que significa que o pessoal passava a baixa velocidade perto de mim. Os primeiros colocados passavam concentradíssimos: respiração, hidratação, alimentação, cadência de pedaladas, frequência cardíaca… As vezes olhavam nervosamente para trás em busca de um perseguidor. Já o pessoal que vinha mais atrás e que dispunha dos mesmos equipamentos e acessórios (as vezes até melhores que os dos primeiros), também demonstravam concentração, mas era diferente, parecia que lutavam com a dor, o cansaço, o vento, sei lá. A grande diferença era que quando eles viam que estavam sendo fotografados  levantavam da bike e pedalavam em pé, ou faziam cara de esforço ou simplesmente sorriam ou posavam para a foto, mas sempre agradeciam e seguiam em frente.

Daí novamente aquela perguntinha, o que esses malucos tão fazendo aqui? Passeando, posando pra fotos?

Voltei para a transição quando os primeiros já haviam começado a maratona. O australiano Luke McKenzie, que liderou e venceu o Ironman de ponta a ponta, já estava iniciando sua segunda volta no circuito. O pessoal voltava para a área de transição e entregavam as bikes para o staff e corriam, ou tentavam correr (imagine pedalar 180 km e sair correndo depois, as pernas acostumam com o movimento e caminhar fica complicado, imagine correr) para calçar o tênis e seguir pelo circuito.

Sinceramente, cansava só de olhar. O alto falante anunciava “O AUSTRALIANO ESTÁ CHEGANDO”. “ELE ESTÁ A 15 KM DA CHEGADA”. “ELE ESTÁ A 10 KM DA CHEGADA”, e a turma continuava chegando para começar sua etapa de corrida. Agora o meu desânimo era evidente e eu não acreditava em toda aquela disposição…

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Com o “AUSTRALIANO CHEGANDO” fui para a área de imprensa na arena Ironman, um corredor com arquibancadas e um portal onde se via o tempo decorrido de prova e que também era a linha de chegada, a expectativa de quebra de recorde embriagava o locutor: faltam 2 km, falta 1 km, 100 m… aponta o australiano no final do corredor… festa, foguetes, belas garotas, medalhas e o cara bateu o recorde que durava 9 anos, show de bola, parabéns para o cara.

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Chegaram os primeiros. Chega a primeira mulher, a canadense com nome de brasileira Tereza Macel e vários minutos depois começou a chegar aquela turma que estava lá atrás. Vários deles traziam consigo os filhos, mulheres, namoradas, mães, pais e até cachorros – literalmente família – as vezes até carregavam alguém… Muitos, que à pouco tempo, mostravam uma fisionomia inabalável, simplesmente desabavam na chegada. Choravam como crianças e, confesso,  chorei com alguns deles.

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Nesse momento todos os meus questionamentos começaram a ser respondidos: aquilo era o que aquelas pessoas buscavam, aquele sentimento, aquela emoção, aquela sensação de realização, e ouvir do locutor: “seu Zé da Silva, agora você é um IRONMAN”. Descobri que fazer um Ironman é uma espécie de escalada do Everest. Só quem chega lá é que pode descrever e sentir. A realização pessoal é o que motiva, é o que empurra, é o que leva os “caras” a nadar, pedalar e correr, para no final poder dizer para si mesmo “EU POSSO”.

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Esta faltando motivação em sua vida? Então não perca o próximo Iroman. Assista do início ao fim e aprenda motivação com esses homens e mulheres de ferro.

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Luiz Marcos Peixoto

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